Sobre a Meia Maratona do Rio…

por / quarta-feira, 30 julho 2014 / Postado emVida de Corredor
A prova da minha vida!!!
A prova da minha vida!!!

A prova da minha vida!!!

Na quinta feira, 23/07/2014, fizemos uma reunião de amigas para falar sobre a Meia Maratona do Rio (a essa altura, já não falávamos mais sobre Maratona) e eu me comprometi encontrar a Liliana na divisa do Leblon com Ipanema e correr com ela até a chegada. Eu iria com o meu número (para não ser expulsa da prova) e daria todo o apoio para a amiga que não estava tão bem treinada e um pouco insegura com a prova. O motivo da minha ida ao Rio estava definido: dar apoio à Liliana!

Na sexta feira, juntei umas roupinhas na mochila e fiz questão de colocar tênis free (para não ter tentação de correr mais do que 10km) e roupas que eu não usaria em provas longas. Não coloquei gel para assaduras, nem top reforçado. Eu realmente estava pronta para correr poucos quilômetros. Havia comprado gel, mas era para as minhas atletas (mamãe e Liliana). Assim, fui para o Rio. Cabeça a mil, mas com a certeza de que não iria correr a prova toda.

Chegamos ao Rio, deixamos as malas no hotel e fomos para a tal feira (bendita hora!). Chegando na feira, minha mãe e a Liliana foram para a fila dos kits da Meia Maratona e eu entrei na fila da Maratona. Como a fila era gigantesca e super mal organizada, tive tempo de conversar bastante e ouvir histórias engraçadíssimas! Peguei o kit, já havia me perdido das companheiras de viagem (a fila delas foi bem mais rápida) e saí para passear pela feira e procurá-las. A essa altura, a vontade de correr a prova já era imensa!!!

Passei no stand do Márcio Villar para comprar o livro dele e ficamos conversando um pouco. Ele me perguntou sobre a prova, eu disse que não ia correr, ele falou que eu PRECISAVA correr e me deixou muito balançada. A fala do Márcio foi: “você acha que eu corro 700km com o corpo? Para correr essas distâncias, quem manda é a mente! Vai lá e corre essa prova”! Um pouco mais tarde, encontramos o Flávio Massi (da Biarritz Turismo) na lanchonete e ele me disse: “tenho te acompanhado pelas redes e visto essa história de correr e parar de correr. Não faça se não se sentir preparada, não faça seu corpo sofrer à toa, não corra o risco de mais uma lesão”. Fiquei bem atordoada! Acabei no stand da Pink Cheeks, me distraindo com as meninas e falando um pouco sobre cuidados femininos (foi a melhor escolha naquele momento)!

Almoçamos sem falar de corrida e seguimos para o encontro da assessoria das garotas. Conversamos um pouco sobre a prova com um dos treinadores e saímos para comprar Gel de Carboidrato e Rapadura. Fomos para o hotel, para o shopping, jantamos com amigos queridos e eu só pensando sobre a prova, sem saber o que fazer. Eu estava me divertindo, muito! Mas estava muito tensa também. Amo o Rio, amo a paisagem daquela cidade (até com chuva!), amo as pessoas, amo essa prova! Como estar na cidade maravilhosa e deixar de correr a prova que mais amo, a que considero a mais bonita? Estava sofrido…

Chegamos ao hotel tarde e as meninas foram arrumar as roupas para a corrida. Eu peguei a roupa que havia levado, ajeitei o tênis, coloquei os géis e o protetor labial na pochete, ajeitei a braçadeira do celular e ainda tinha dúvidas. Sono era algo inexistente. As garotas resolveram dormir e eu entrei na internet. Ao acessar o Facebook, uma marcação em algumas fotos de corrida e a seguinte mensagem: “Night Run! Minha primeira corrida. O mundo estava acabando em água, mas exatamente na hora da prova São Pedro ajudou. Só faltou o coração sair pela boca, mas consegui! Thiago e Aline, corri lembrando de vocês dois! Vocês são meus exemplos”. Chorei de emoção. O Felipe era um cara sedentário, que um dia subiu o Pico da Bandeira conosco e era um dos que mais reclamava da dificuldade do caminho. Só que ele viu que reclamar não era o caminho e resolveu mudar de vida. Saiu do sofá, passou a se exercitar, correr, emagreceu e começa a ver os resultados do próprio esforço.

Resolvi correr pelo Felipe! Resolvi correr por mim, pelos ideais nos quais acredito. A garota que havia dito que só correria se acordasse bem e naturalmente, programou o despertador para 3:50h da madrugada (que friiiiiiiiooooo) e foi para aquela largada com um único objetivo: se divertir! Não havia tensão, não haviam cobranças, não haviam expectativas, apenas o compromisso de ter uma manhã divertida. E assim foi!

Larguei ao lado da Liliana e corremos os primeiros 4km lado a lado. Resolvi andar um pouco porque não tinha condicionamento para correr naquele ritmo. Comecei a observar as pessoas, a beleza daquela cidade. A grande maioria estava feliz àquela altura da prova! Todos com um sorriso no rosto (principalmente quando apareciam fotógrafos) e fui curtindo aquilo.

Na subidinha de São Conrado (perto dos morros de Itabirito, aquilo é uma lombada!), participei do vídeo de dois caras muito engraçados e rimos muito! No meio do caminho, um daqueles pescadores que ficam na mureta, pescou um peixe e puxou com tanta força que quase acertou a galera (foi hilária a cena)! E eu fui rindo e correndo e caminhando. Ainda em São Conrado, a pulseira do meu Garmin arrebentou (que prejuízo!) e tive que fazer o resto do trajeto com ele nas mãos. Comi umas amêndoas, conversei com umas garotas de Salvador, ri muito com os meninos do Amazonas, falei sobre tatuagens com as meninas de São Paulo e  ouvi muitos causos de uma turminha de Curitiba! E desse jeito segui até chegar na divisa do Leblon com Ipanema.

No final do Leblon, eu já estava muito atrás e já não tinha muitas forças para correr, então comecei a orar, admirar a paisagem, refletir sobre corrida. Talvez eu tenha entrado em transe. Andei. Andei muito. Vi muita gente se sacrificando, morrendo de dor e com vontade de desistir. Vi pessoas destruídas, mas que seguiam em frente. Vi pessoas que aparentavam estar bem e desistiam da prova. Acompanhei até Copacabana um senhor que estava todo torto. Ele não queria conversar, só queria completar. Fui em silêncio hora ao lado, hora atrás e, a partir de Botafogo, sempre à frente. Ele foi muito aplaudido quando chegou e já estava bem mais torto também. 

Teve Selfie na largada, no ônibus, na praia, do tênis Free, da medalha e do almoço de comemoração...

Teve Selfie na largada, foto no ônibus, na praia, do tênis Free, da medalha e do almoço de comemoração…

Pela primeira vez na vida, corri sem me preocupar com o que os outros iam falar, pela primeira vez na vida não sofri numa prova, pela primeira vez na vida, não quis provar nada a ninguém. Eu poderia muito bem ter pegado um táxi e chegado linda no Flamengo (como vi muita gente fazer), eu poderia ter simplesmente desistido e seguido para o hotel, eu poderia nem ter largado. Mas eu queria estar ali, queria sentir as dores e as delícias de ser uma corredora, eu queria exorcizar os meus demônios e seguir em paz, leve… Eu entendi o que é verdadeiramente CORRER LEVE! Eu segui em frente com um sorriso e não me importei com mais nada.

Chegando no Flamengo, quando faltavam uns 800 metros para a linha de chegada, vi um grupo voltando da chegada com medalhas da Maratona no pescoço, tendo feito apenas 21km. Ri para eles e eles entenderam. Começaram a me incentivar e eu me arrastava. Eu dizia que não conseguia e eles diziam que eu tinha que correr porque não podia ser tão alegre e terminar andando. Brinquei um pouco com eles e corri. Corri para deixar para trás todas as dores, corri para chegar mais rápido e ganhar o abraço mais gostoso do mundo, corri para encontrar pessoas queridas e dizer que tinha feito a melhor prova da minha vida!

E quando eu cheguei, lá estavam elas, minha mãe (com um abraço de urso pra mim) e a Liliana super feliz por ter completado mais um grande desafio… Elas estavam bem preocupadas com o meu tempo. Eu apenas sorri e disse: ESSA FOI A MELHOR PROVA DA MINHA VIDA!!! Elas não entenderam muito bem naquela hora, mas na hora do almoço, brindamos com espumante e eu contei alguns casos engraçados da prova.

O meu tempo foi de 03:24:19! Não acredito até agora que passei tanto tempo correndo (ou andando ou pensando)! Corri com o número de uma amiga que não pode ir, peguei minha medalha da Meia Maratona e não tirei fotos na chegada porque o celular ficou sem bateria…

O que eu aprendi com tudo isso?! CORRER LEVE!!!

Aline Oliveira
Apaixonada pela vida, por esportes, pessoas e suas histórias. Curiosa sobre o mundo e eterna aprendiz. Depois de anos proibida de praticar os esportes que amava devido a um probleminha nos joelhos, resolvi me arriscar. Não aceitei largar a corrida e hoje sou uma corredora muito feliz!!!

TOPO
%d blogueiros gostam disto: