Sem talento, mas com o coração!

por / sexta-feira, 04 setembro 2015 / Postado emVida de Corredor
Frances-Ha-running

Nos últimos anos, foram muitas lesões. Uma atrás da outra. Falta de tempo para treinar, dores, preguiça, falta de vontade também. A verdade é que não corro direito há anos. Não treino direito, não corro direito e vivo me tratando. Como é difícil de admitir isso! Acabo de me recuperar de uma tendinite patelar e tomei uma decisão muito difícil e muito séria: não vou mais correr. Não, não é que eu vá parar completamente, radicalmente. Eu simplesmente vou diminuir o ritmo, parar de tentar fazer sozinha algo que eu não dou conta.

Lembram do texto de hoje cedo, sobre ter ou não assessoria?! Pois é. Percebi que não vou correr da forma que quero enquanto não estiver bem assessorada. Para aquele texto, conversei e fiz entrevistas em Junho, logo quando me lesionei. Mas tive um bloqueio e não conseguia escrever sobre o assunto. Escrever sobre isso, mexia demais comigo, com as coisas nas quais eu tentava acreditar até então. Precisei de um tempo para me avaliar, para entender o que estava acontecendo comigo. Assim que eu tomei essa decisão, o texto fluiu. Simples assim!

Eu parei de treinar com assessoria porque havia mudado de cidade e não gostava do atendimento online, fiquei sem tempo para treinar. Passei a correr sozinha e me acomodei. Depois, quando quis voltar, estava desempregada e não podia pagar; aí voltei a trabalhar e fiquei ocupada demais, depois não fazia sentido participar e não treinar junto porque os horários não batiam e aí eu relaxei e parei de pensar no assunto. De repente, a vida deu uma guinada daquelas e a assessoria passou a não caber no orçamento.

Eu resolvi parar de correr da forma como eu vinha fazendo. Não é parar totalmente. Até porque a corrida me faz muito bem! Vou parar de treinar com tanta frequência, diminuir distâncias, sacrificar menos o meu corpo que nunca foi compatível com o de um corredor. Bom, já tenho uma má formação nas rótulas, um ligamento do pé sensível, frouxidão ligamentar nos ombros e ainda vou ficar forçando o corpo com treinos sem orientação adequada?! Não dá! Que loucura foi essa de pensar que eu daria conta sozinha? Não, não dou conta e quando a gente aceita, dói menos. Adeus Meias Maratonas!!! Só vou correr provinhas de 5km e só algumas!!!

Outro dia, assisti um filme que mexeu muito comigo. Frances Ha. Fala da relação entre duas amigas, que planejam uma vida perfeita, como todos nós costumamos planejar. Elas se vêem bem sucedidas em suas áreas, ricas e felizes. Mas a vida não acontece dessa forma. Frances sonha em ser bailarina profissional, mas apesar de toda a sua dedicação e esforço, não tem talento para tal. A vida vai encaminhando para outro lado e ela vai lutando enquanto pode para conquistar o que tanto sonha e planeja. Mas o filme é francês e fala da vida real. Apesar de todo esforço e dedicação, as coisas não rolam para Frances e, depois de bater muita cabeça, de passar dificuldades tremendas, ela aceita que não dará certo, vai tocar a vida de outra forma e descobre que dá para ser feliz sem seguir aquele planejamento inicial.

Estou me sentindo como a Frances Ha. Pouco talento e muita vontade. Tem coisas na vida, que não adianta forçar e não falo só da corrida, falo da vida como um todo. A única certeza que sempre tive em relação à corrida é que eu nunca serei rápida ou terei tempos fantásticos. Quanto a isso, sempre fui muito tranquila. Mas eu quero correr a vida toda e se continuar me lesionando dessa forma, isso não vai rolar. Falta “talento” para correr longas distâncias, meu corpo não consegue mais. Falta base, falta preparo. Neste caso, não basta vontade e coragem. Por isso, resolvi correr por diversão, quando puder, quando quiser, sem planilhas, sem obrigações, sem tensões e lesões (assim espero!). Estou numa fase de muita introspecção, de largar o que não está dando certo, de parar de insistir em talentos inexistentes. Não é fácil, mas é preciso!

Tinha resolvido parar de escrever também. Por isso, sumi há um tempo. Estava certo, definido. Mas ouvir as pessoas me fez voltar atrás com a decisão. Como a corrida, escrever me faz bem. Por isso, continuo por aqui e em alguns sites e outros blogs. O que muda é a expectativa. Escrever não é a minha profissão, nunca ganhei dinheiro com isso e não será o objetivo. Por isso, não é obrigação. Se falta talento, sobra emoção. Sigo assim: coração na ponta dos dedos e muita inspiração.

Quem quiser continuar por aqui, sinta-se à vontade! A casa também é de vocês! Aceito opiniões, sugestões, inspirações e histórias interessantes também!!! Deu vontade?! Escreve pra mim: aline@corraleve.com.br!

Aline Oliveira
Apaixonada pela vida, por esportes, pessoas e suas histórias. Curiosa sobre o mundo e eterna aprendiz. Depois de anos proibida de praticar os esportes que amava devido a um probleminha nos joelhos, resolvi me arriscar. Não aceitei largar a corrida e hoje sou uma corredora muito feliz!!!

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