Quando VIVER é recomendação médica…

por / terça-feira, 01 setembro 2015 / Postado emGente que corre
11938789_867276003350407_1634987639_n

Ela se recuperava de uma sinusite e estava deitada, assistindo TV na casa da mãe.  De repente, uma dor no peito lhe tirou o ar. Era uma dor muito forte. A dor era tão forte que ela se desesperou e pedia à mãe que ligasse para o pai, o marido, o irmão, para quem pudesse chegar em casa mais rápido. Era uma dor muito forte e ela queria ir para o hospital. Não, aquela dor não era normal. Ela nunca tinha sentido aquilo. Era surreal. Já no hospital, fizeram um raio X do tórax e da face e como nada anormal foi observado, o médico disse que era dor muscular ocasionada pelas crises de tosse, passou uma medicação e liberou a paciente.

Passados 10 dias, Jacqueline acorda por volta das 6h da manhã com uma dor fortíssima no peito. Muito maior que a dos dias anteriores. Parecia que uma faca atravessava seu coração e saía pelas costas. O que poderia ser isso?! Vendo o desespero da esposa e a reação à grandeza daquela dor, o marido resolveu levá-la ao hospital próximo de casa. Assim que descreveu o que sentia, Jacqueline foi encaminhada para a realização de um eletrocardiograma. Após a realização do exame, ela foi medicada com morfina e encaminhada ao CTI. Sim, ela estava infartando. Segundo o médico, a dor de 10 dias antes, provavelmente foi o primeiro infarto e acabou não sendo tratado. Aos 33 anos, Jacqueline Caldas sofria o segundo infarto, no dia 28 de Setembro de 2014.

Infartos em pessoas jovens são muito mais complicados do que muita gente pensa. O risco de morte em jovens infartados é muito maior do que em pessoas mais velhas. Jacque tem um histórico familiar complicado e o colesterol sempre foi elevado, mas ela nunca imaginou que infartaria um dia. Nem quando estava infartando, ela imaginou que poderia ser isso a causa de tanta dor. Por não ter tido o diagnóstico e tratamento corretos no primeiro infarto, o coração dessa garota ficou muito comprometido. Ela perdeu um pedaço do coração e uma artéria coronariana. A cirurgia era inevitável e havia um grande risco de morte precoce caso os devidos cuidados não fossem tomados.

Ainda no hospital, ela decidiu não desistir...

Ainda no hospital, ela decidiu não desistir…

Para uma garota que só frequentava consultórios médicos em busca de fórmulas mágicas para emagrecer, que não gostava de exercícios físicos e ignorava totalmente a genética familiar, se ver nessa situação foi um choque! Foram 36 dias internada no hospital, com uma filha de 11 anos para cuidar e sem saber o que esperar dali pra frente. Apesar dos remédios e cuidados necessários nesses casos, a recomendação médica para Jacqueline foi de VIVER! Claro que o médico pediu que ela fizesse algumas mudanças nos hábitos alimentares, que a rotina não foi retomada de uma hora para outra, mas ela levou a sério essa questão de viver mais!

Hoje, a preocupação de Jacqueline é a de ser uma referência positiva para a filha. Ela quer ser um exemplo de pessoa saudável, ativa, feliz! Pela primeira vez na vida, ela mudou os hábitos alimentares, não em busca de um emagrecimento rápido, mas em busca de qualidade de vida. Ela introduziu os exercícios físicos em sua rotina e tem sentido na pele o que é ter uma vida mais saudável e os benefícios que isso traz não só para o corpo, mas para a mente.

A princípio, ela foi para a academia em busca de atividades como hidroginástica, bicicleta e esteira. Apesar de toda a ansiedade para saber como o seu corpo se comportaria com a prática de exercícios físicos, ela viu que tudo aquilo era bom. Das caminhadas na esteira, ela passou a dar uns trotezinhos. Como o irmão e o marido correm, começar a correr fazia todo o sentido. Como os médicos não se opuseram e ainda incentivaram, ela passou a correr na rua. Correr com o marido é um dos momentos prazerosos do dia. Apesar de ter uma rotina super corrida, ela tenta encaixar 3 treinos durante a semana e tem dado certo. No princípio, ela emagreceu bastante e hoje, está tentando encontrar aquele famoso equilíbrio que nos permite ter uma vida saudável, mas não monótona!

Jacqueline não tem treinador ou assessoria de corrida, mas reporta tudo o que faz aos médicos e não deixa de colocar em prática nenhuma das dicas recebidas. Entre trotes e caminhadas ela segue firme em busca de uma vida mais saudável. Algumas pessoas ainda se assustam quando a vêem correndo por aí. Não gente. Ela não é proibida de correr ou de fazer atividades físicas. Na verdade, essa é a recomendação! Ela só precisa se cuidar e se alimentar direito.

Há 2 semanas, essa guerreira participou da sua primeira corrida de rua! Ela correu uma prova de 5km só para mulheres. “Estar no meio daquelas mulheres guerreiras, batalhadoras, determinadas, dedicadas, me fez me sentir uma delas”, assim ela define a emoção de sua primeira corrida. Houve muito nervosismo e ansiedade antes da prova. “Queria muito que meu marido, minha filha, minha mãe, meu pai e meu irmão tivessem orgulho de mim. Principalmente eu, precisava sentir esse orgulho de mim mesma. Provar que eu posso, que eu também consigo”.

E lá foi ela, mesclando corrida e caminhada, lágrimas e sorrisos, emoção e sofrimento. Lá se foi a primeira prova de 5km, uma emoção inexplicável! O marido foi ao lado por quase todo o percurso, afinal não era uma corredora como qualquer outra. No final, ele a deixou para trás e foi registrar a chegada. “Noooossa, eu chorei muito!!! É muito bom poder chorar de alegria, lavar a alma! A sensação era de dever cumprido e ao mesmo tempo de cobrança… Jacque, agora você sabe que consegue, então ‘bora levar essa parada’ a sério”!!!

Chegada Circuito Vênus

Os objetivos para o futuro são continuar correndo, atingir um peso mais saudável, mostrar para a filha que é possível e preciso se cuidar e não descuidar da saúde. Tempo e recordes pessoais não são preocupações para essa guerreira, o que ela não quer é parar de correr. Com o apoio da família, do marido e dos amigos, já estava ótimo, agora que ela está participando de vários grupos de discussão sobre corrida e começou a receber mais apoio ainda, não vai ser fácil parar com isso! Ainda bem!

E para quem ainda tem dúvidas sobre sair do sofá ou não, a Jacqueline deixou um recado: “A sensação de quase morrer é horrível e o peso na consciência também. No começo pode ser chato, pode doer a perna, pode até parecer impossível, mas creia, não é! Além de ser um exercício acessível, correr é de graça! É um dos exercícios mais completos que existem e sem falar na liberação da dopamina (que dá a sensação de prazer) que é mais gostosa que comer brigadeiro e não engorda!!! Não Desista. Peça ajuda a Deus para que você tenha força de vontade, peça ajuda do parceiro, da parceira, da família, chame amigos pra treinar junto, só não deixe de tentar! Se não gostar, se a adaptação à corrida for difícil, tente outra atividade, o importante é não ficar sentado no sofá da vida. Eu li uma placa no percurso da Vênus com a qual me identifiquei totalmente: ‘ Quando a perna cansar, corra com o coração e agora este é meu lema.

Que venham as próximas!!!

Que venham as próximas!!!

A Jacqueline sabe que isso é apenas o começo, que há muito o que conquistar e viver. Mas ela está disposta. Está disposta a continuar vivendo, a mudar mais e mais, a tomar as rédeas da vida e ser muito feliz! Se para uma pessoa sedentária, sem nenhum problema de saúde, já é muito difícil começar a correr, imagine para alguém com um coração tão comprometido! A Jacqueline é uma mulher jovem, estudante de Direito, com uma filha pré-adolescente para cuidar e uma casa para administrar. Não é uma rotina fácil, mas ela escolheu viver e é por isso que ela segue em frente com tanta determinação!

Flor, te desejo todo o sucesso do mundo! Que venham muitas conquistas e muita superação! Que você possa contagiar muita gente com esses novos hábitos e que a sua filha cresça orgulhosa do seu exemplo! Fácil, nunca será porque nunca é mesmo! Mas prazeroso, é sempre!!!

E você?! Quer contar a sua história com a corrida?! É só escrever um texto e enviar para: aline@corraleve.com.br que eu vou amar receber!!!

Aline Oliveira
Apaixonada pela vida, por esportes, pessoas e suas histórias. Curiosa sobre o mundo e eterna aprendiz. Depois de anos proibida de praticar os esportes que amava devido a um probleminha nos joelhos, resolvi me arriscar. Não aceitei largar a corrida e hoje sou uma corredora muito feliz!!!

TOPO
%d blogueiros gostam disto: