O Corredor Solitário

por / quinta-feira, 20 agosto 2015 / Postado emVida de Corredor
O Corredor Solitário

Outro dia, fui assistir uma prova de rua. Na verdade, fui acompanhar minha mãe e umas amigas e aproveitar para pegar um sol, socializar com os amigos corredores, doar algumas roupas para um projeto social, enfim, fui respirar um pouco de corrida. Como haviam horários diferentes de largada e nossa turma estava dividida entre esses horários, aconteceu um fato que mexeu comigo e levou a algumas observações e reflexões.

Estávamos acompanhando uma das garotas até a largada, quando um amigo veio me abraçar e não estava com uma carinha muito boa. Nos abraçamos demoradamente, desejei “boa prova” e disse que estaria na torcida. Ele sorriu e seguiu com um semblante preocupado para a largada. Continuei rindo com as amigas e ficamos assistindo a primeira largada do dia. Haviam poucos expectadores. Em relação à quantidade de atletas, os público era pouquíssimo.

Entre a primeira e a segunda largada, assistimos a chegada da elite dos 5km. Amo assistir chegadas. Me emociona. Foi muito bom. Os caras se esforçam muito, de verdade. Dão o sangue enquanto estão ali. É lindo ver essa superação humana, a força desse momento. Ali, o suor é mágico. É naquele momento que eu acredito que o mundo é um lugar perfeito, que todas as pessoas são boas, enfim, que o mundo é um lugar bom. O pessoal das assessorias vibrava com a conquista de seus atletas e eles respondiam com um sorriso. Mas lá, na linha, eles estavam sós.

Bom, passada a chegada da elite dos 5km, era hora da largada dos 10km e eu me aproximei para assistir e fotografar minhas atletas lindas e felizes. Fiquei observando o semblante do pelotão de elite segundos antes da largada. Observei comportamentos tão diferentes, quanto complexos. É interessante ver os rituais de alguns. Me comove.

Após a largada, sentei um pouco no sol e fiquei lendo uma revista de corrida. Lembram do amigo que veio me abraçar antes de largar? Ele veio me dar mais um abraço e eu chamei para sentar. Naquela manhã, ele não havia corrido bem. Aquela cara antes da largada já anunciava um pouco o resultado da prova. Ele estava triste. Não conseguiu se concentrar na prova e não passou nem perto dos tempos que estava fazendo nos treinos. Ele reclamava da solitária vida dos corredores de elite.

Vemos os atletas chegando, sua emoção e nem paramos para ver o depois, né?! Realmente, na maioria das vezes, esses corredores chegam sozinhos e permanecem sozinhos por um tempo. Em alguns casos, recebem o apoio da equipe para a qual correm, alguns amigos corredores e só. Sei lá, sempre tive a impressão de que eles são muito solitários. Os caras treinam sozinhos, chegam sozinhos e vão embora sozinhos. Por causa da desculpa de que precisam se concentrar, passam um bom tempo sozinhos antes das provas. Não há ninguém à espera deles na linha de chegada. Cara, é um universo muito louco.

Esse amigo me falava que estava um pouco triste por se ver tão sozinho num meio em que ele sempre acreditara que seria repleto de amor e admiração. Ele falava da inveja, da disputa, da falta de solidariedade que passou a fazer parte da sua vida quando se viu fazendo parte do tal círculo dos corredores de elite. A torcida diminuiu bastante quando conquistou os primeiros pódios, as conversas mudaram um pouco e a receptividade também.

No caso desse amigo, o problema maior é ter uma família que só torce à distância (moram muito longe) e a namorada não entende que ele ficaria tão feliz por ter companhia e torcida. Penso que muitos não entendem muito bem esse nosso universo e acabam achando tudo muito chato. Sei lá, se as pessoas conversassem mais, metade dos problemas seriam resolvidos. Se você não explica para o outro qual a importância daquilo na sua vida, a pessoa não vai imaginar. Nem todo mundo é ligado no que o outro sente, no que o outro gosta, na importância que também deve dar ao hobby alheio.

Eu gosto de torcida, gosto de receber um abraço apertado quando chego numa prova. Como normalmente faço as mesmas provas que a minha mãe e ela corre muito mais do que eu (super orgulho), sempre tenho torcida! E torcida de mãe é sempre daquele jeito!!! rs rs Terminar uma prova e ter alguém especial à nossa espera é muito bom! Minha mãe diz que a maior emoção dela na corrida foi ver o meu pai na linha de chegada de uma prova com um cartaz escrito “você conseguiu”. A minha, foi terminar a minha primeira Meia Maratona ao lado de um cara muito especial e receber todo o carinho do mundo. E a sua, qual foi?!

Todo mundo quer um pouco de carinho nessa vida! Mais ainda, quando realiza grandes feitos! Afinal, nada mais gostoso do que receber aquele abraço super especial quando você pensa que não dá conta de mais nada! É revigorante. Quer receber todo o carinho do mundo quando chega de uma prova?! Diga o quão importante é isso para você! Nem sempre as pessoas adivinham! Tem muita gente que acha que vai atrapalhar e por isso não vai.

Quer ser bem recebido na linha de chegada ou após pegar sua medalha?! Compartilhe esse texto com as pessoas que você quer ver lá! Chega de solidão nas provas!!! Vamos amar, sorrir, nos abraçar!!! Boas provas!!!

Aline Oliveira
Apaixonada pela vida, por esportes, pessoas e suas histórias. Curiosa sobre o mundo e eterna aprendiz. Depois de anos proibida de praticar os esportes que amava devido a um probleminha nos joelhos, resolvi me arriscar. Não aceitei largar a corrida e hoje sou uma corredora muito feliz!!!

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