Mizuno Half Uphill – Emoções Pré Prova

por / quinta-feira, 08 setembro 2016 / Postado emDesafio Secreto
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Nas semanas que antecederam a Uphill, eu estava trabalhando freneticamente para deixar tudo sob controle enquanto estivesse de férias. Passei 2 semanas trabalhando de 11 a 13 horas seguidas porque precisava deixar 30 dias de trabalho adiantado por não ter quem me substituísse na empresa. Pesado. Mais pesado ainda para quem enfrentava os treinos para a Uphill e começou a ter problemas pessoais muito sérios para administrar! Foram semanas loucas, muito tristes, desesperadoras! Pensei várias vezes em desistir da prova e focar nos problemas familiares, jogar as férias mais pra frente e tentar viver dias mais leves. Mas como abandonar o sonho? Como esquecer aqueles 9 meses insanos de preparação? Não dava para largar tudo assim. Tentei me blindar ao máximo, tentei me isolar mesmo e seguir em frente.

Fui para a Uphill com o coração na mão. Com um aperto no peito e um choro contido que estava me fazendo muito mal. Mas sabia que lá na Serra a vida seria outra, que eu exorcizaria meus demônios e viveria tempos de paz. Não sei como, mas eu sentia isso! Lá na Serra, nada do que eu estava vivendo até então teria importância. Seria outra dimensão, umas realização de um sonho mesmo! Eu, a Serra e nada mais! Tudo ficaria muito pequeno quando eu pisasse naquele asfalto! Eu sabia que a Serra era mágica e que era pra lá que eu precisava seguir!

Antes de viajar, passei meu primeiro dia de férias resolvendo detalhes e com cabeça e coração a mil. Minha irmã ficou de motorista e amenizou demais toda a minha insanidade. Obrigada, Jéssica! Você foi um espetáculo!!! 😀 Após a correria do dia para resolver pequenas coisas, fui tomar uma café na Run&Fun, conversar com meu coach, com pessoas que estavam na torcida, receber um presente lindo que fizeram para os “futuros ninjas” e foi ali que comecei a relaxar. À noite, dei uma última passada na fisio e o blá blá run ajudou a me aliviar. Jantei em Itabirito com a família (ou parte dela) e fui tentar dormir com um turbilhão de emoções.

Presentinhos da Run&Fun que me fizeram mais do que feliz!!! Me ofereceram verdadeiras fortunas por esse Corta Vento... rs rs

Eu, o coach e os presentinhos da Run&Fun que me fizeram mais do que feliz!!! Me ofereceram verdadeiras fortunas por esse Corta Vento… rs rs

Fui para a Uphill com muita soberba. Sim, isso é verdade! Fazia dias que tinha deixado de ser divertido. Tinha esquecido um pouco daquele sonho lindo que me fez querer estar ali e foquei em sentimentos que não me faziam bem. Nas semanas anteriores, eu me apeguei aos sentimentos errados e aquilo veio me corroendo por dentro. Eu só queria provar ao mundo que eu era capaz. Esqueci que o desafio era meu, que era eu, meu corpo e minha mente! Já não era mais algo que me faria feliz, era algo que me mostraria forte para pessoas que em nada me acrescentam. Perdi a mão, perdi a minha motivação. Passei 2 semanas sofrendo e remoendo sentimentos que só me faziam mal!

Mas apesar da vida não ser perfeita, as coisas se encaixam da maneira certa! 😉 Ao pisar no aeroporto, me senti novamente no controle da situação. Deixei todos os problemas para trás e liguei o velho botão do FODA-SE!!! Éramos eu, a Serra e os demônios que eu precisava expurgar!!! Nada mais importava!!! Eu ia realizar um sonho e nada e nem ninguém tirariam o brilho daquele momento que eu estava vivendo! Me concentrei na minha prova, ouvi músicas que me fazem bem e comecei a me preparar para o grande desafio da minha vida de corredora!

No avião, já comecei a detectar corredores e sentir a grandiosidade daquilo. No ônibus para Criciúma, já encontrei um dos corredores que fazia parte da minha van, que estaria no meu hotel e fomos conversando. Eu e o Lucas almoçamos juntos e logo nos juntamos à turma da van para ir a Treviso visitar a Expo e buscar o kit da prova. Passamos uma tarde divertida, falamos de corrida, da vida, de expectativas! Comemos, sorrimos, compramos, nos divertimos e sonhamos! Conversei com muitos atletas que eu admiro, tietei mesmo, peguei conselhos, dicas e tudo mais que pudesse me ajudar. Falei com os organizadores, fiz entrevistas, relaxei. Comecei a sentir o clima da prova e entrar na vibe que eu queria estar! Foi muito importante passar aquelas horas em Treviso!

Eu sentia muito grata por estar ali, eu me sentia bem, leve, feliz!!! Eu me sentia plena por ter escolhido aquele desafio, por ter me dedicado e me permitido fazer parte de tudo aquilo! Por mais louco que seja, eu me sentia a melhor pessoa do mundo. Ao trocar uma ideia com o Isbin e ouvir dele o quanto ele havia se dedicado para aquilo e o quão pleno ele se sentia por isso, tive certeza de que só a corrida nos permite esse tipo de coisa! Eu, que me sentia tão solitária nessa loucura toda de me preparar para a Uphill, entendi que era tudo muito maior do que eu poderia compreender, que tinha muita gente junto, que eram muitos corações vibrando, que era o momento mais mágico da minha vida!!!

Essa homenagem do Jornal Corrida mexeu comigo... Foi aí que eu me dei conta de quanta gente estava comigo nesse sonho!

Essa homenagem do Jornal Corrida mexeu comigo… Foi aí que eu me dei conta de quanta gente estava comigo nesse sonho!

No sábado, levantei da cama às 3:35h em Cricúma, com o coração na mão. Era muita ansiedade! Tomei café sozinha e em silêncio. Meditei. Entrei na van e me blindei. Queria pensar na minha prova, no meu desafio, no que eu estava vivendo. Não aproveitei muito a bagunça das pessoas na largada, as fotos da galera, o blá blá run e tudo mais. Fiz alguns Lives na página do Jornal Corrida e fui me concentrar. Eu não estava para auê, eu precisava de paz. Fiquei mais quieta, tentando concentrar na missão de ser Ninja.

Descobri que aquela vontade de provar ao mundo só existia porque eu a alimentava com os meus medos! O negócio não era provar ao mundo! Era provar a mim mesma que aquela força toda existia ali dentro! O força do ninja era minha e de mais ninguém! Eu precisava não só acreditar, mas viver isso!

Uma certeza que eu tinha é que a Uphill não é uma prova individual. Sério! A Uphill é uma prova de asfalto, com características de trail run. Na Uphill, é preciso ser solidário, é preciso ver o outro, se preocupar com o outro, ajudar… Você corre para você, mas precisa estar atento ao outro. É um desafio para todos, não é fácil para ninguém e pensar no coletivo pode te ajudar muito! Ali, não é só você e a Serra! É você, a Serra e um bando de loucos!!!

Quando me senti forte o suficiente para me juntar ao grupo, consegui sorrir, consegui conversar, consegui vibrar!!! Poucos minutos depois, o som do Metallica ecoou, a buzina soou e eu liguei o Garmin em busca do sonho mais lindo da minha vida! De coração aberto, eu sorri para a Serra e ela me acolheu!

Aline Oliveira
Apaixonada pela vida, por esportes, pessoas e suas histórias. Curiosa sobre o mundo e eterna aprendiz. Depois de anos proibida de praticar os esportes que amava devido a um probleminha nos joelhos, resolvi me arriscar. Não aceitei largar a corrida e hoje sou uma corredora muito feliz!!!

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