Minha Inspiração em Maratonas…

por / sexta-feira, 13 março 2015 / Postado emGente que corre
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Eu poderia apresentá-la de várias formas, mas amo a forma como ela se apresentou pra mim… Foi assim:

Yara

“Yara Achôa, 48 anos, jornalista (hoje ela completa 49 anos!)

Mãe da Fernanda, 26 anos, e Antônio, 13 anos

Mulher do Guto”.

Simples assim! Hoje, vou falar um pouco sobre essa mulher guerreira, que me emocionou muito com sua participação na 1.ª Mizuno Up Hill e que sempre escreve textos que mexem muito comigo, com as minhas emoções. Na vida dessa guerreira, esporte e trabalho se misturam. Ela começou a correr em 2005, após cobrir um evento esportivo e ver o brilho nos olhos de um amigo que falava sobre corrida e sugeriu que ela pudesse gostar do esporte. A princípio, não pensou em emagrecer ou em qualidade de vida, nem nada do tipo. Ela simplesmente se encantou por aquele brilho no olhar. Claro que ela fez tudo o que o amigo sugeriu! Fez check-up, procurou um treinador – desde essa época ela treina com o Marcos Paulo Reis, teve vontade de desistir, mas seguiu em frente! “Nessa época se alguém dissesse que um dia eu iria correr uma maratona, eu acharia uma loucura…” E assim começou a vida de corredora da nossa inspiração de hoje!

Assim como eu, a Yara praticou vários esportes na infância e adolescência, vem de uma família com muitos irmãos e sempre esteve em ação, até que os estudos a afastaram dessa vida ativa. “Quando entrei na faculdade e comecei a trabalhar, parei com tudo. No último ano de faculdade, com 22 anos, fiquei grávida e casei. A sorte é que com essa idade foi mais fácil voltar à forma, mesmo sem suporte de atividade física. Fiquei casada por quatro anos e separei. A única atividade que praticava nessa época, e só nos finais de semana, era andar de bike. Depois, já com uns 30 anos, casei novamente e cheguei a fazer academia por alguns períodos – mas não gostava muito. Aos 35, tive meu segundo filho. Dessa vez não foi tão fácil voltar à forma. A vida foi seguindo… E eu ganhando um quilinho aqui, outro ali… Quando vi, estava 10 quilos acima do ideal, com baixa autoestima, levando a vida sem grande motivação. E então eu fui cobrir aquele evento de esporte.”

Assim, como a maioria das pessoas que começam a correr, a Yara se sentia um pouco envergonhada por causa do seu corpo quando chegava à assessoria, afinal, não é nada fácil encarar aqueles corpos atléticos quando estamos fora de forma. Pode parecer bobagem, mas nos sentimos assim! Mas com 6 meses de corrida, ela já havia emagrecido bastante e melhorado muitos seus tempos. E isso sempre nos anima, né?! Hoje, ela é uma mulher super ativa! Faz musculação (primordial), yoga, exercícios funcionais em casa ou qualquer outra atividade física que o trabalho demandar.

Como todo corredor comete suas loucuras, com a Yara não foi diferente! Pouco antes de começar a treinar com a assessoria, ela foi convidada a correr uma prova de 10km e, sem ter a menor noção do que seria uma prova dessa distância, foi lá e correu, caminhou, trotou, morreu, mas terminou – em 1h20min, mas fez! A primeira Maratona, foi em 2008. A Maratona de Porto Alegre foi um grande desafio pois ela “não acreditava muito na história do ‘muro’ no quilômetro 30, mas ali vi que ele existia. Tive de administrar o cansaço e no final deu tudo certo: em minha estreia nos 42K fiz o tempo de 4h04m”. Na Mizuno Up Hill, ela sofreu um pouco. Na concepção dela, provavelmente foi o maior desafio dela nas corridas. “Tive medo de não completar, sofri com dores que nunca havia tido antes, a cabeça quase deu uma pirada… Mas fui em frente e cruzei a linha de chegada. Foi uma das maiores emoções da minha vida de corredora.” Leia o depoimento aqui!

A Yara também sofreu com uma lesão, como quase todos os corredores, mas ao invés de ficar em casa chorando e ficar se lamentando com todas as pessoas do seu círculo social, ela resolveu escrever um blog e é lá que ela conta suas experiências, compartilha conhecimento e escreve textos inspiradores. Um vez, li uma frase da Yara que mexeu comigo. Era mais ou menos assim: “sei que não tenho uma genética favorável para a corrida, mas corro porque sou teimosa”. Perguntei a ela sobre isso e eis a explicação: “tenho quadris largos e acho que fisiologicamente isso atrapalha a performance – repare como as melhores corredoras têm o corpo reto! Mesmo quando estou magrinha, tem uns excessos nessa região”.

Antes X Depois

Antes X Depois

Na vida da Yara, a corrida mudou muita coisa! Vejam só! “A corrida foi um divisor de águas na minha vida. Passei por uma série de mudanças, além do lado físico. Nove meses depois que comecei a correr, me separei. Estava há oito anos casada e o relacionamento havia tempos estava morno. Não foi a corrida que me fez separar. Mas o esporte ajudou a resgatar uma Yara que estava adormecida, que gosta de um desafio, que quer melhorar sempre. Fora que com a perda de peso a gente fica mais bonita e a autoestima melhora, sem contar ainda com a energia sempre a mil. E aconteceu quase a mesma coisa profissionalmente, só que um pouco depois de eu ter começado a correr. Sempre tive um trabalho fixo – desde que me formei, eu ia para uma redação, tinha uma rotina com horários e tudo mais. Chegou uma hora que não tinha mais o que evoluir. A rotina estava entediante, sem desafios. E eu não sei empurrar com a barriga. Virei freela, depois de quase 20 anos fixa. O frio na barriga de ter que arrumar trabalhos a cada mês me encheu de gás. Como na corrida, era sempre um desafio a superar. E fiz meu “marketing pessoal” em cima da corrida. Muita gente sabe que eu corro e, com isso, acabo sendo chamada para muitos trabalhos sobre corrida, esporte, qualidade de vida e bem-estar. E tanto amigos como pessoas com as quais trabalho estão sempre me perguntando sobre meus próximos desafios já que eu não vivo sem eles”.

Se tivesse que dar conselhos a um corredor, a Yara diria para procurar orientação profissional, respeitar seu corpo, não se entregar às dificuldades, mas o que mais mexeu comigo foi: “corra com paixão! Às vezes, correndo, eu sinto um amor maior do que tudo. Uma sensação de felicidade incrível. E agradeço a Deus!” É bem isso, né galera?! Sei lá… Acho que somos todos muito apaixonados por esse esporte!

Chegada da Mizuno Up Hill

Chegada da Mizuno Up Hill

Para finalizar, vejam como essa mulher encantadora se relaciona com a corrida: “É um amor imenso! Na corrida você vence os obstáculos (cansaço, dor, percursos difíceis, frustrações) e se sente poderosa. Depois, no dia a dia, você se sente capaz de tudo. Nada mais é complicado. Correr mudou minha vida e continua mudando a cada dia”.

Aline Oliveira
Apaixonada pela vida, por esportes, pessoas e suas histórias. Curiosa sobre o mundo e eterna aprendiz. Depois de anos proibida de praticar os esportes que amava devido a um probleminha nos joelhos, resolvi me arriscar. Não aceitei largar a corrida e hoje sou uma corredora muito feliz!!!

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