Mãe e Filha

por / domingo, 10 maio 2015 / Postado emGente que corre
Laís e Laurinda

Correr aquela prova era uma superação pessoal. Era uma questão de honra. Elas se prepararam para aquele dia, sonhavam com aquele desafio e acordaram na maior disposição. A música que ressoava na cabeça daquela mãe já mostrava que aquele dia seria especial:

O desafio era a Volta Internacional da Pampulha de 2014. Laurinda queria se convencer de que era capaz de encarar o desafio e a Laís queria transpor questões pessoais. Mãe e filha. Uma incentivava a outra, uma correria pela outra. Elas treinaram, se dedicaram, sonharam.

No dia 07 de Dezembro de 2014 as duas acordaram ansiosas, mas confiantes. Estavam decididas a concluir o desafio e foram se apoiando. Na largada, elas se emocionaram. Sentiam que tudo ficava para trás e que era o início de uma nova fase, era realmente uma superação. Elas sentiam que aquilo ali era maior que tudo.

Elas correram um pouco juntas, mas se separaram logo no início. Laís foi na frente e  Laurinda se manteve no ritmo proposto. A prova fluía bem e Laurinda estava bem confiante. Ela se mantinha dentro do tempo proposto e sabia que a filha estava bem. Completar a prova mais tradicional de Belo Horizonte, depois de um ano complicado na vida pessoal era um desafio e tanto. Focar na corrida foi uma forma de manter a tranquilidade, o equilíbrio. Correr aquela prova significava superar muitas coisas.

Tudo ia muito bem para essa mãe até que ela avistou Laís sentada no meio fio, descalça e com várias pessoas ao lado tentando reanimá-la. Laís tentava se esconder para não atrapalhar a corrida da mãe, mas não teve jeito. Laurinda parou. Laís não se deixou abater. Disse que estava bem, que queria que a mãe continuasse e  Laurinda foi. Foi sem querer ir. Foi chorando e correndo e pensando e pedindo a todos no caminho que socorressem sua filha.

Foi 1km de muito sofrimento, cabeça a mil, vontade de desistir, desespero. Deixar uma filha passando mal, no meio do caminho não é fácil para nenhuma mãe. Mas ela precisava completar aquele desafio. Não só por ela, mas pela Laís, por tudo o que elas haviam vivido naquele ano. Ela se apegou à lembrança da filha dizendo que estava bem. Foi preocupada, mas foi.

Depois desse quilômetro de muitas indagações, um senhor chegou até aquela mãe, disse que era médico, que estivera com Laís, passou um relatório completo da situação e disse que Laurinda poderia continuar porque a filha estava bem. Ela seguiu um pouco mais tranquila. Com muita vontade de terminar logo para reencontrar Laís. A filha estava em companhia de uma amiga muito especial e isso deixou Laurinda mais tranquila para terminar a prova.

Logo que cruzou a linha de chegada, Laurinda nem comemorou muito. Só pensava em pegar o carro e ir buscar a filha. Imaginem a surpresa dela ao perceber, enquanto se encaminhava para o carro, que as meninas cruzavam a linha de chegada. Correndo! Pois é. Laís fugiu dos médicos, da ambulância e foi concluir a prova para a qual havia se preparado. Chegou ao lado da amiga, mas foi pela mãe.

Naquela manhã de Dezembro, mãe e filha superaram não só os 18km da Volta Internacional da Pampulha. Elas superaram tudo de ruim que havia acontecido naquele ano, elas provavam para elas mesmas que eram mais fortes que tudo aquilo, que podiam mais do que haviam imaginado.

Parceria nas pistas e na vida...

Laurinda e Laís, parceria nas pistas e na vida…

Parabéns garotas!!!

Essa foi a história campeã da nossa campanha de Dia das Mães! Laurinda e Laís, obrigada por compartilhar essa linda história conosco! Que vocês continuem se superando a cada dia mais! Essa promoção nos permitiu conhecer muitas histórias interessantes, nos mostrou o quanto a corrida une as pessoas, o quanto o esporte ajuda a mudar vidas. Obrigada a todos que participaram!!!

Obrigada, CoolbeltMG por ter nos ajudado a contar essa história!

Aline Oliveira
Apaixonada pela vida, por esportes, pessoas e suas histórias. Curiosa sobre o mundo e eterna aprendiz. Depois de anos proibida de praticar os esportes que amava devido a um probleminha nos joelhos, resolvi me arriscar. Não aceitei largar a corrida e hoje sou uma corredora muito feliz!!!

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