It’s Runderful!!!

por / quinta-feira, 18 junho 2015 / Postado emVida de Corredor
Mizuno

Eu não havia dormido bem. Dormi tarde, estranhei a cama, estava ansiosa. O despertador tocou às 5h da manhã e eu não queria levantar. Levantei e fui direto para o banho. Estava sentindo frio e pensei em mudar o look da prova para uma calça, mas depois do banho quente, animei a correr de saia. Ia correr com a camiseta do blog, mas desisti. Vesti a da prova mesmo e, apesar de ter notado que nada combinava com nada, não liguei. Enquanto tomava o café da manhã, minha amiga descobriu que o ônibus que eu havia planejado pegar não circulava no domingo. Resolvi ir de táxi. Tinha trânsito. Fiquei mais nervosa. Cheguei ao parque às 6:42h e a fila para o Guarda Volumes me deixou mais nervosa (odeio as filas de São Paulo, elas são rápidas mas muito grandes). Olhei para a ponte e desesperei com o horário. Estava muito cheia e já era quase hora da largada. Fui desesperada em direção ao pórtico e consegui chegar na minha baia às 6:58h. Ufa!

Deu 7:00h e nada do locutor anunciar a largada das categorias especiais. Eu estava muito tensa. Sabia que não estava preparada para correr 21km, apesar de querer muito fazer essa distância. Havia me convencido a fazer o trecho destinado às duplas, mas minhas ideias ainda estavam muito confusas. Resolvi alongar mais um pouco. Enquanto eu massageava meus ombros tensos (isso sempre me derruba em provas longas), um corredor puxou papo comigo. O Thiago estava com mais dois amigos e os três estreariam nos 21km. Como seria a minha 5.ª Meia Maratona, ficamos conversando um pouco sobre estratégias de prova e, quando notamos que próximo a nós haviam 6 corredores de “pipoca”, começamos a reparar na quantidade de pessoas sem número de peito que tentavam entrar nas baias, mas não era nada que parecia preocupante. Resolvemos nos concentrar para a prova e eu comecei a ouvir música e tentar organizar as ideias a respeito da distância que eu correria.

Após 22 ou 23 minutos a largada foi anunciada. A multidão começou a se mover, mas não dava para correr. Passei no portal após pouco mais de 9 minutos da largada, num trotezinho paquera. Minha cabeça estava a mil pois ainda não tinha resolvido qual distância correria. Resolvi me desligar. Engatei uma playlist de reggae e MPB e comecei a relaxar. Resolvi curtir a prova, resolvi curtir o momento. Me senti feliz por estar ali, por participar daquela prova que havia sido criada para entrar para a história.

No começo da prova, corríamos pouco mais de 2km e retornávamos ao pórtico. Do nada, foquei em um corredor que tinha uma passada perfeita. Nunca tinha reparado em alguém correndo daquela forma. Técnica perfeita. Foram alguns segundos olhando para aquelas passadas rápidas, técnicas, plasticamente lindas. Percebi que era uma dupla. Um homem e uma mulher. Quando eles se aproximaram, eram Igor Amorelli e Ariane Monticeli. Marcante ver a técnica do Igor e a garra da Ariane. Comecei a me sentir confortável na corrida. Corrigi minha postura e passei a me divertir. Após 3km de prova eu havia resolvido correr o trecho de 10,549km das duplas.

A hidratação da prova estava ótima. Eu não curto água muito gelada quando estou com o corpo quente, então achei tudo muito bom. Entre os kms 8 e 9, parei para amarrar meu cadarço e percebi que havia perdido o chip de cronometragem. Que raiva! O meu nervosismo pré-prova havia me pregado uma peça… Mas eu estava me divertindo tanto correndo, que nem liguei. No momento em que avistei o retorno das duplas, percebi que não ia fazer aquele trecho. Eu estava muito bem, confortável na prova, mantendo um ritmo que eu nunca havia imaginado para aquela prova, feliz por estar ali. Resolvi seguir em frente e fui. Confesso que não vi placas marcando a quilometragem da prova. Senti falta daquelas placas com mensagens de ânimo. Não mexo no Garmin durante a prova porque me tira a concentração. Então, quando comecei a ficar cansada, resolvi voltar. Fiquei com medo de quebrar, veio o fantasma da câimbra que me arruinou na Mizuno Half Marathon do ano passado e achei melhor voltar antes do retorno oficial. Eu estava num ritmo muito acima do planejado e isso me deu medo. Voltei e desacelerei.

No caminho de volta, me senti um pouco frustrada por voltar antes da hora, mas sabia que estava fazendo a coisa certa. Eu sempre soube que ainda não estava pronta para correr 21km e era isso o que me afligia na véspera da prova. Quando vi que a tensão nos ombros começava a me incomodar, comecei a cantar, orar, pensar em tudo o que eu já passei nesses anos correndo. Lembrei do meu ortopedista falando que não acreditava que eu me sentia tão bem correndo, da conversa que tivemos quando ele resolveu não me proibir mais de correr. Se eu podia correr, ia reclamar de quê?! Estava muito feliz para ficar de mi mi mi! Fiquei feliz por estar ali, me desafiando mais uma vez. Encaixei um bom ritmo e fui, deixei a corrida fluir. Eu corria e sorria, sorria e corria! Quando avistei a linha de chegada, me emocionei. Mais uma vez, eu havia me desafiado, mais uma vez, deixei a corrida tomar conta. Eu estava completando a minha primeira prova em Sampa, uma das cidades que mais amo e tinha muito o que comemorar!!!

Correndo e Sorrindo e Agradecendo... It's Runderful!!!

Correndo e Sorrindo e Agradecendo… It’s Runderful!!!

Não, eu não havia completado os 21km. Mas eu me desafiei e, mais uma vez, minha mente venceu o meu corpo. Mais uma vez, me senti corredora de verdade. Cheguei muito emocionada. Alguém gritou um “vai, Aline” com tanta empolgação a poucos metros da chegada e isso mexeu comigo. Foi uma sensação tão boa… Não sei quem foi porque não enxergo bem e a emoção já estava tomando conta. Pensei que era a minha amiga, que tinha combinado de ir me fotografar na chegada, mas não era. Ela estava me esperando no parque. Não sei se era alguém que me conhecia ou simplesmente alguém que leu meu nome no número de peito. Só sei que me fez bem, me fez muito feliz!

Procurei a Chrys e não encontrei. Nos falamos ao telefone e ela disse que estava no parque. Cruzei aquela ponte lotada, peguei minha medalha de concluinte e segui para o Guarda Volumes. Encarei a fila gigantesca, desisti da crioterapia e da massagem por causa das filas imensas e tentei voltar para a chegada para receber as amigas. Óbvio que não consegui chegar nem na metade da ponte. Mas encontrei a Roberta no meio da multidão, o Frotinha me viu e veio bater papo, cumprimentei alguns amigos corredores e resolvi seguir para a padaria onde nossa turma se encontraria porque precisava me sentar um pouco e sabia que se sentasse ali, não levantaria mais. Andamos muito, muito, muito, mas chegamos na padaria escolhida e aí foi só alegria!

Ótimas conversas, análise da prova, sorrisos espontâneos, gordices deliciosas (eu comi mesmo!) e uma energia muito boa no ar. Um dos amigos passou mal e a turma se dividiu, mas a alegria continuou nas alturas e esses blá blá runs me fazem muito bem!

Não foi uma prova perfeita. Foram muitos contratempos, mas pra mim, foi uma redescoberta da minha paixão pela corrida. Foi uma manhã mágica! Saí daquela padaria por volta das 12:30h na maior alegria! Feliz por ter escolhido essa prova, feliz por ter corrido daquela forma, emocionada com tantos encontros importantes e com um sorriso bobo no rosto. Aquele sorriso bobo de quem está apaixonado. Sabem como é?! Pois é, me redescobri mega apaixonada pela corrida!!!

!7,6km de muitos sorrisos!!!

17,6km de muitos sorrisos!!!

Nada melhor para definir o meu sentimento do que o novo tema da Mizuno: It’s Runderful!!!

Quem correu e ainda não pegou as fotos, basta clicar aqui! As fotos estão lindas!!! Você pode fazer download ou publicar direto nas redes sociais! E quem teve problemas com a Medalha, basta enviar um e-mail para mizunohalfmarathon@ccm.com.br com seu número de inscrição e dados pessoais que receberá a sua medalha em casa! Empresa séria é assim. Reconhece o erro e faz o possível para resolver os problemas!

Aline Oliveira
Apaixonada pela vida, por esportes, pessoas e suas histórias. Curiosa sobre o mundo e eterna aprendiz. Depois de anos proibida de praticar os esportes que amava devido a um probleminha nos joelhos, resolvi me arriscar. Não aceitei largar a corrida e hoje sou uma corredora muito feliz!!!

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