Como nascem os corredores?

por / sexta-feira, 27 fevereiro 2015 / Postado emVida de Corredor
Close up of feet of a runner

Outro dia, conversava com uma amiga sobre corrida e comentei sobre uma amiga em comum que havia começado a correr, quando ela disse: – Mas fulana não é corredora! Me admira você, que corre há anos, dizer que ela, que começou a dar uns trotezinhos é corredora!

Será?! Quando nós podemos ser considerados corredores? Antigamente, eu pensava que só os maratonistas eram corredores de verdade. Pensava que eu era apenas uma garota que corria, nunca dizia que eu era corredora. Até que eu percebi que a corrida dominava vários aspectos da minha vida e que não tinha como eu dizer que alguém que amava tanto, se dedicava tanto, não era uma corredora. Um dia me disseram que eu era uma corredora porque sempre sabia dizer algo sobre corrida ou ajudar alguém que queria começar a correr ou falar sobre algum lançamento de tênis.

Passei uma boa parte do meu horário de almoço refletindo sobre isso. Quando nos tornamos corredores?! Eu demorei a me sentir uma CORREDORA… Eu corria para emagrecer, para estar com as amigas, para participar das provas, não porque eu gostava! Demorei muito para gostar de verdade de correr! Foram anos! Até que um belo dia, percebi que já não vivia mais sem a corrida…

Me apaixonei verdadeiramente pela corrida, quando minha mãe ficou doente (clique aqui para conhecer essa história). Lembro que já corria há anos, mas achava o maior sofrimento do mundo. Quando minha mãe ficou doente, a corrida me ajudava a esquecer, a corrida me ajudava a organizar as ideias, a corrida era minha companheira nas horas em que eu queria chorar… Acho que foi aí que eu percebi que a corrida fazia parte da minha vida. Mas foi aí também que vivi uma fase de ódio pelo esporte… Minha mãe estava debilitada e, apesar de eu entender que a corrida a fazia feliz, eu via a corrida como uma droga viciante que ela não conseguia largar. Foram meses de amor e ódio. Foram meses em que corri pouquíssimo e vivenciei mais a corrida através dos desafios da minha mãe. Em alguns momentos, eu apoiava e em outros, achava que tudo aquilo era uma loucura…

Não sei se me senti corredora quando participei da minha primeira prova de rua. Não sei se me senti corredora na primeira viagem para correr. Não sei se me senti corredora quando vi a família toda correndo e o coração bateu mais forte. Não sei se me senti corredora quando me vi compartilhando o amor pela corrida com alguém. Não sei se me senti corredora quando fui convidada a escrever sobre corrida. Não sei se me senti corredora quando fiquei proibida de correr por meses e meses. Não sei se me senti corredora quando só ganhei presentes referentes a corrida em um aniversário. Não sei se me senti corredora quando fiz o primeiro amigo por causa da corrida. Não sei se me senti corredora quando fiz minha primeira grande amiga na corrida. Não sei se me senti corredora quando saí para treinar na chuva pela primeira vez na vida. Não sei se me senti corredora quando completei os meus primeiros 10km (demorei 3 anos para ter coragem). Não sei se me senti corredora quando me pediram dicas de corrida pela primeira vez. Não sei. Não sei mesmo.

Um dia, me descobri corredora. Tem dias em que tenho vergonha de dizer que corro, seja por não ter “físico de corredora”, seja por me sentir “pangaré”, seja por simplesmente não estar num dia bom… Agora, falou que corre, que deu um trotezinho que seja, já chamo de corredor, já quero falar sobre corrida, reclamar, dar dicas, falar sobre treinos, equipamentos e afins.

Você já pensou sobre isso?! Quando sentiu que era um CORREDOR? Ainda não se sente? Por quê?!

Meia Maratona do Rio em 2013

Meia Maratona do Rio em 2013

Aline Oliveira
Apaixonada pela vida, por esportes, pessoas e suas histórias. Curiosa sobre o mundo e eterna aprendiz. Depois de anos proibida de praticar os esportes que amava devido a um probleminha nos joelhos, resolvi me arriscar. Não aceitei largar a corrida e hoje sou uma corredora muito feliz!!!

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