Aprendendo que desistir pode não ser para sempre…

por / terça-feira, 08 abril 2014 / Postado emGente que corre, Vida de Corredor
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Após ter “quebrado” na Meia Maratona, fiz um discurso de que havia superado, de que esse tipo de coisa acontece mesmo, mas confesso que não é isso o que estou sentindo… Li em algum lugar que “Desistir é para sempre” e estou sentindo isso muito forte. Domingo passado, tive uma prova de 5,5km em Itabirito e, pensei em não largar até o último minuto. Foi isso mesmo! Postei que iria para a corrida, conversei com as amigas e clientes dizendo que estava animada, mas o sentimento de fracasso ainda tomava conta da minha mente.

No sábado de manhã, tive avaliação física na nova academia e já recebi notícias desanimadoras e ainda teria que correr na minha cidade e sem ter treinado? Voltando à avaliação física, apesar de ter reduzido 1 número nas minhas calças (estava bem feliz com isso), eu perdi massa magra (1,2kg) e ganhei massa gorda! Socorro!!! Pois é, o peso na balança é o mesmo de Outubro de 2012, mas eu estou com muito mais gordura corporal (por isso eu digo que o número na balança não importa)! Por conta disso, o objetivo agora é secar e recuperar a massa perdida! O processo é complicado e eu vou precisar de muita disciplina alimentar e de realmente encarar os treinos com muita seriedade! Já que é o desafio que eu posso cumprir, vamos lá!

Agora, falando de corrida, essa é a segunda vez que a Prefeitura de Itabirito promove o Circuito Itabirito de Corridas. No ano passado, fiquei em 3.° lugar na primeira etapa e passei o resto do ano lutando contra as lesões para pegar outro pódio, mas não consegui. Este ano, queria brilhar no circuito! Estaria me preparando para uma Maratona, super condicionada e em condições de competir (nunca encarei a corrida como competição). Isso não aconteceu! O circuito começaria com uma Aline cheia de gorduras, traumatizada com a “quebra” na Mizuno Half Marathon e cheia de fantasmas na cabeça! Ninguém me cobrou nada, mas eu me cobrei demais! Eu queria um bom resultado e, apesar de saber que se conseguisse correr a prova toda já seria uma vitória, ainda esperava muito mais! Minha cabeça estava fervendo de dúvidas e emoções loucas! Ao pegar o kit, desisti da prova. Após conversar com algumas pessoas, resolvi alinhar.

Conversando um pouco com a Inês e resolvendo se largava ou não...

Conversando um pouco com a Inês e resolvendo se largava ou não…

Larguei pensando em correr 2km, estava com a chave do salão na braçadeira e ficaria por lá assistindo esportes na TV. Esse era o meu plano naquela linha de largada. Com 500 metros, já queria desistir, mas estava com vergonha. Muitos me falaram que era bom me ver ali, naquela prova simples (é, no interior as pessoas acham que é chique e metido quem viaja para correr) e eu não queria fazer feio na minha cidade (lembrava o tempo todo do Thiago Vinhal e sua tag #ninguémquerserfeio). Fui num trotezinho leve, quase andando. Eu não sabia ao certo qual seria o percurso (só sabia que tinha alguns morros) e comecei a observar melhor a cidade e curtir estar naquela prova. Cumprimentava as pessoas, tentava animar alguns e comecei a relaxar com aquela prova! Quando dei por mim, já estava no meio da prova e não dava mais para desistir! Mantive o “trotezinho paquera” e fui. Ao me aproximar da chegada, minha mãe veio me receber e incentivar um sprint. Eu disse que tinha feito a prova no trote e ia terminar assim. Nessa altura, eu não queria provar nada para ninguém. Eu havia completado uma prova no mesmo ritmo de quando comecei a correr lá em 2008 e estava muito feliz por ter completado sem andar! Ha ha ha!!!  Os sentimentos eram de uma inciante!!! E é assim que tenho me sentido! Uma iniciante!

Já mais animada, minutos antes da largada...

Já mais animada, minutos antes da largada…

Naquele dia em que eu quebrei, algo se quebrou aqui dentro também. Perdi um pouco da minha coragem, da minha ousadia, da minha loucura em relação à corrida. Hoje, tenho medo de me lesionar (o médico da ambulância só falava nisso), tenho medo de não terminar as provas, tenho medo de decepcionar. Sei que isso vai passar, mas por enquanto, sou uma corredora medrosa! Saudade do meu terapeuta, saudade da minha ousadia… Mas sei que tudo na vida tem um tempo e sei que vou voltar a ser aquela Aline guerreira, que não se deixa abalar, que vai em frente sempre!!! É só uma questão de tempo… Não de velocidade, mas de tempo!

Na prova de Itabirito, correr leve teve sentido real. O que é correr leve? É correr sem cobranças, correr por prazer, correr por amor. Eu corri tranqüila, fiz uma prova solitária (eu e a minha mente), exorcizei meus fantasmas, revi minhas prioridades e tive a certeza de que amo correr. Não importa o tempo que eu passe sem correr, eu amo isso!!! Com ou sem treino, com ou sem provas, a corrida faz parte da minha vida e não importa o tempo que eu passe sem praticar, sempre que nos encontrarmos, será prazeroso! E vou seguir correndo leve, sem neuras, sem preocupações idiotas, me divertindo! Por enquanto, só correr leve e de leve!!!

A vida muda, as pessoas mudam, mas a vida continua seguindo é para a frente! Em Julho, tem Meia Maratona do Rio de novo!!! É, desisti da Maratona, mas vou correr a Meia! E vou tirar férias em Junho para treinar direitinho para essa prova! Não para chegar lá e bater recordes, mas para completar a prova sem sofrer tanto! E o que eu vou fazer durante a Copa?! Treinar, oras!!! Vambora?!

Aline Oliveira
Apaixonada pela vida, por esportes, pessoas e suas histórias. Curiosa sobre o mundo e eterna aprendiz. Depois de anos proibida de praticar os esportes que amava devido a um probleminha nos joelhos, resolvi me arriscar. Não aceitei largar a corrida e hoje sou uma corredora muito feliz!!!

Comentários

  1. […] ter lido muitas vezes sobre o quanto é difícil recomeçar após ter desistido. Eu mesma, já contei sobre isso porque senti na pele a dor de desistir e ter que voltar a correr. E ele superou isso […]

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