A primeira Meia Maratona… Inesquecível!!!

por / terça-feira, 24 setembro 2013 / Postado emGente que corre
Golden Four 1

Sempre gostei muito de desafios, de tentar fazer algo que a princípio parecia impossível. Acho que é por isso que eu corro. Não só por isso, mas é um dos grandes motivos. Não vou dizer que corro bem, pois estaria mentindo. Sou uma corredora bem lenta, para dizer a verdade. Meu recorde nos 5km é de 26’52”. Dá para ter uma idéia da lentidão, mas não ligo para isso. Eu quero é correr, sentir que sou capaz de desafiar meu corpo e minha mente.

Meus primeiros 10km simplesmente aconteceram. Passei um longo período sem correr por conta de uma lesão mais séria e, quando voltei, achava que 5km era uma boa distância e não precisava mais. Até me pergutarem o motivo de eu não correr 10km. Fiquei com aquilo na cabeça por uns meses… Saí um domingo para treinar com minha mãe e uma amiga e elas fariam um treino de 15km. Como seriam três voltas de 5km, eu fui. Pararia ao final da primeira volta e ficaria tomando uma água de côco. Ao final da primeira volta, percebi que conseguia correr mais. Resolvi fazer 7km. No meio do caminho, resolvi fazer 8km, dos 8km, resolvi completar 10km. Não é que consegui?! Meus primeiros 10km e sem andar!!! Quanta felicidade… Nem eu acreditava. Mais tarde, em casa, minha mãe disse que correia 10 milhas (16km) daí a duas semana e me chamou. Animada que só eu, fui! Corri os 16km sem andar. Um tempo tão ruim que não contei para ninguém e fiz questão até de esquecer, mas não andei!

Sempre me propus desafios um tanto loucos, mas nunca impossíveis. Sei o quanto o meu corpo aguenta e o quanto a minha mente comanda. Depois das 10 milhas, a maior distância que corri foram os 18km da Volta Internacional da Pampulha – tradicional prova de Belo Horizonte. Tive 2 meses para me preparar e uma lesão no joelho no meio do caminho. Fiz a prova na raça e também sem andar. Fiz com 8 minutos acima do que eu esperava fazer sem lesão. Foi ótimo!!! Visualizar aquele portal quando as minhas pernas já não queriam mais me obedecer, foi a glória! Essa prova foi no início de dezembro de 2011. Após os 18km, qual a próxima distância?! Ela mesma, a Meia Maratona. Ui. Era só obedecer o período de descanso, escolher a prova e voltar a treinar. Simples!

Tentando fazer pose de quem está ótima!!!

Tentando fazer pose de quem está ótima!!!

Já na primeira semana de Janeiro de 2012, encontrei a Meia Maratona perfeita. Eu ia mesmo estrear nos 21km. Seria na abertura do Circuito Golden Four, em Belo Horizonte. A prova seria no dia 01 de Abril e isso não era mentira! Bom, eu teria 3 meses para me preparar e vi que seria tranquilo. Como na minha vida não pode haver muita facilidade, sofri uma lesão séria no joelho no início de fevereiro. Após umas semanas sem treinar, veio o carnaval e foi quando voltei a correr. Bem atrasada para quem ia correr 21km no primeiro dia do mês de Abril. Vamos que vamos! Treinos, musculação, spinning. A vida é fácil?! Nunca. Na segunda feira, dia 26 de Março, treinei cedo, fui ao supermercado e, quando chegava em casa, pisei em falso na escada, me desequilibrei e… torci o joelho!!! Faltando 6 dias para os 21km!!! Vou ou não vou? Na sexta feira anterior à prova, correr ainda era uma dúvida. Havia pedalado durante a semana e participado de uma running class. Só! Havia sentido muita dor, mas a terapia de gelo estava me ajudando muito.

No sábado, acordei e fui buscar meu kit. Ah, eu não ia desistir. Isso não era possível mesmo. Busquei meu kit, conversei com alguns corredores, conheci um corredor de 76 anos, que me deu ótimos conselhos e me animei mais ainda para a prova. Saí dali com muito medo, mas com a certeza de que iria completar. Nem que fosse me arrastando, eu chegaria! Trabalhei até as 21h feliz da vida. Estava ansiosa, mas feliz por me permitir mais esse desafio.

As três estreantes fingindo não estar tensas...

As três estreantes fingindo não estar tensas…

Domingo, 01 de Abril. Largada às 7h, há 2,4km do meu hotel. Isso mesmo. Fiquei em um hotel para não ter que atravessar metade da cidade para correr! Eu merecia esse mimo por tão grande desafio. Levantei da cama às 5:30h. Um banho para acordar o corpo,  muita conversa com minha mãe e nossa amiga Inês pois seríamos as três a encarar os 21km pela primeira vez na vida. O telefone tocou. Ai, meu treinador ligou para desejar boa prova e dizer que me daria uma força na chegada. Mais um incentivo. Café da manhã mais do que corrido – nos atrasamos por causa das conversas – e hora de sair. O Táxi não chegava e pedimos carona na rua. Fomos com um dos colaboradores da prova. Ufa, chegamos! Bateu um nervosismo… Tiramos fotos, conversamos com outros corredores, mexi com alguns conhecidos, tudo para relaxar, mas não adiantou muito.

Eu e ela... Foto desfocada!!! Mas a mãe mais linda do mundo estava lá para fazer aquela estreia ao meu lado!!! Isso não tem preço...

Eu e ela… Foto desfocada!!! Mas a mãe mais linda do mundo estava lá para fazer aquela estreia ao meu lado!!! Isso não tem preço…

Hora da largada. Esqueci de ligar o Garmin. Putzs! Tudo bem, com 300 metros de prova já estava tudo certo. Agora era manter um ritmo de prova de 21km e não de 10km! Difícil… Ansiedade demais. Aos poucos, diminuí o ritmo e fui me sentindo melhor. Lá se foram 8km e as dores começavam. 11km e eu queria parar. 12km e passa o treinador, ânimo! 13km e não aguentava mais. Só mais um pouco! Em 14km, a frase que mudou minha corrida: “Não há prazer maior do que fazer algo que os outros dizem que você nunca vai conseguir.” Ao ler essa frase, percebi que desistir não era uma opção. Veio à minha mente as palavras de todos os ortopedistas que disseram que correr não era para mim, as lembranças de todos os esportes que deixei de praticar por ouvir que eu não devia, que eu não conseguiria… Bom, já estava sentindo o quadril, os joelhos, a panturrilha e muita dor nas costas, mas fui!!! A partir daí, a cada km havia uma frase motivadora. Ao completar os 18km, meu corpo não respondia mais. Tentei caminhar e tudo doía mais ainda. Após uns 100 metros de caminhada, vi que não havia outra opção senão correr. Se eu caminhasse, meu corpo ia travar todo e eu não ia chegar. Aos 20km, avistei meu treinador. Ai, estava morta! Corremos os metros finais juntos e eu não conseguia acreditar que o que eu via era a chegada. Caramba! 21km completados…

Ufa! Havíamos chegado...

Ufa! Havíamos chegado…

Aos trancos e barrancos tenho conseguido! Passo a passo, devagar e sempre!!! Depois dos 21km adquiri uma fascite plantar, depois veio uma lesão no joelho, um probleminha de saúde que nada tinha a ver com corrida e, lá se foram meses sem treinar. Voltei a correr no final daquele ano e, com 2 meses de treinamento, uma tendinite no calcâneo!!! Putzs, que zica!!! Fechei 2012 sem correr… Um ano de grandes desafios e de muitas lesões!!! Em 2013, as coisas começaram um pouco diferentes, fiz ótimas provas, mas os joelhos não estão muito bons. O foco agora é tratar!!! Após a Meia Maratona do Rio (em julho), os treinos foram suspensos! A musculação está sendo levada muito a sério para que o impacto sobre os joelhos seja sempre o menor possível. Tenho feito umas provinhas, mas só para diversão, nada muito sério!

E vamos que vamos!!! Ouvindo o corpo, sonhando muito e traçando novas metas!!! Para o próximo ano, o objetivo é correr a minha primeira Maratona!!! Objetivo audacioso para quem tem joelhos tão problemáticos, mas possível para quem quer de verdade!!! Com Fé, Força e Foco eu chego lá!!! Vambora?!

Não existe sensação melhor do esta... Ultrapassar a linha de chegada!!! Com apoio então...

Não existe sensação melhor do esta… Ultrapassar a linha de chegada!!! Com apoio então…

* Texto originalmente publicado no Blog Mundo Corrida no dia 24/05/2012. Atualizado para esta publicação.

Aline Oliveira
Apaixonada pela vida, por esportes, pessoas e suas histórias. Curiosa sobre o mundo e eterna aprendiz. Depois de anos proibida de praticar os esportes que amava devido a um probleminha nos joelhos, resolvi me arriscar. Não aceitei largar a corrida e hoje sou uma corredora muito feliz!!!

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